REVEJO!
...Na verdade
um conflito de tal amplitude
...de uma emocionalidade visceral
nunca passou pela cabeça
da Pequena Girapomba
...Ela, que sequer conhecia Zigstophell
Jamais poderia imaginar
a nefasta existência
do Grande Deus de Borracha
...Daí, uma contradição perigosa
A hipótese proposta páginas atrás
quando a Ingênua Girapomba
conversava com o Grande Deus...
A Fábula Medíocre
Estaria realmente Girapomba
procurando por ti, Homem Víbora?
Ou estaria a Pequena apenas agindo de forma natural?
Não serias tu um novo tipo de doente mental?
Não estarias também
patinando na lama nihilista?
O que seria afinal a sua vida?
Um plano secreto?
Uma fábula?
...Não!, Oh, Deus Companhia
Juro! Nem mesmo eu podia saber em que mundo vivíamos(!)
...Mas aí está teu erro, Ideias Podres!
Desintegrar-se como uma Besta Ingênua
analisando leis deste mundo
Não fostes para isso criado!
Mas sim para correr através dos tempos
colecionando sorrisos, palmas, beijos...
- Hum... grande coisa (!)
Pareces tu demasiadamente preocupado com a sorte da Pequena
(pensativo e desconfiado)
(pensativo e desconfiado)
ABEira do abISMO (ato final)
...E já quase morta de tanto vagar por aquela Terrível Floresta sem saída
Girapomba deitou-se entre as raízes de uma estranha e enorme árvore de ferro
...Era quase noite
As borboletas amarelas já não mais voavam ao redor do Pequeno Lago
...Também agora, quando já se ouvia ao longe o canto
de Pássaros Tristes e Solitários
um vento com o cheiro de enxofre
soprava furioso por entre a copa das árvores
...O que encontraria Girapomba em meio ao temporal que se armava?
INVISIBILIDADE?
olhando para a pequena pedra em sua mão
Girapomba adormeceu, sonhou...
...Chovia muito agora
...Um homem horrível de rosto disforme e face azulada
sorria-lhe de dentro de uma nuvem escura
E dos seus olhos saíam raios
Pelo movimento dos seus lábios
parecia falar-lhe algo
distraidamente...
...Mas era tudo incompreensível
Seus lábios se amontoavam, vez por outra
tendo o homem que separá-los com as mãos
para poder continuar falando
...Depois, a nuvem transformou-se em um jacaré
com o rosto límpido de Zigstophell
...Este, também, parecia falar-lhe algo calmamente
Mas, repentinamente, um raio, seguido de um enorme estrondo
cortou-o ao meio
caindo a pesada cauda sobre sua cabeça
...Neste instante Girapomba acordou
...Trazia ainda nas mãos a pequena pedra
Já era madrugada
A Floresta estava silenciosa
Misteriosamente, não havia caído temporal algum
Foi então que Girapomba teve uma brilhante ideia:
Enfiar a cabeça na pedra
...E assim fez
...Zigstophell! Zigstophell!
Você está aí??
...E então?
Estaria o Pequeno Diabo ainda naquela pedra?
...Por que então não respondia?
E... a perdida Girapomba (?) Seria suficientemente curiosa para entrar ali?
Seria o Homem Desfigurado do sonho
o abominável Deus de Borracha?
...E Zigstophell, afinal, por onde andaria?
...E, por mil e duzentas noites frias, de nuvens rasgadas
com a cabeça cheia de pedras, Girapomba procurou por Zigstophell
olhando para o céu...
...Teria ele se transformado num Grilo Encantado? Uma Barata Voadora?
...Ou num inseto invisível, Girapomba?
...E a dúvida fez-se constante...
...A imagem no céu, uma medalha
Um símbolo
O Símbolo da Dúvida...
...Estaria ainda tal Criatura nos domínios da Floresta?
...Girapomba seria ágil o suficiente para também transpôr
a superfície fria daquela pedra?
...Ou estaria definitivamente isolada
do Mundo de Zigstophell??

