A Voz Quadrifônica














A 1ª Igreja

A Tatoo e as Pedras...


Não. Não é tão puro este ser que entre nós surgiu
Sequer sabemos de onde veio
Também, de que tempo é o Outro?
A que, ironicamente, Zigstophell chama de “Deus-de-Borracha”?

1ª Igreja Paralela Ao 2º ano pós-Alfa

...Dois pequenos Corvos Imundos se arrastam pelo corredor central, para dentro da Igreja em ruínas. Chegam cabisbaixos ao altar...

O sacerdote é um cabo de vassoura com a cabeça esculpida em uma casca de abóbora numa das extremidades.

Zigstophell vence a luta e consegue despir a descomunal goma de mascar, ficando assim definitivamente de posse da Tatoo.

Zigstophell é um ser confuso, desprovido do que poderíamos chamar “razão coletiva”

Satisfeito, observando a Tatoo na mão, Zigstophell sorri.
Mas, em quem colá-la? Se nesse inferno gelado em que me meteste, apenas existem, além da sua voz, pedras e pedras (?)
Ao ouvir os pensamentos de Zigstophell
As pedras riem e saltam freneticamente
flutuando a uma altura de 10 cm do chão
Ri ri ri ri ri ri...

8º Enigma: Seria Você Uma Pedra?

Irado, batendo repentinamente, de forma suave, as mãos, Zigstophell aniquila uma Pequena Vespa que circundava seu rosto.
Mas, ao aniquilar a Vespa Sem Cor, um dos olhos de Zigstophell cai ao chão.
Agora também as flores começam a rir. As pedras riem mais alto ainda.
Tem início então um tétrico e esquizofrênico balé na floresta.

Zigstophell solta um grito de dor:

“Terrível! Terrível és tu!
Que de mim oculta a complexidade da explicação real
Matando-me, assim, aos poucos.
Morrerei como um sapo em seu peito vazio...

2º slide
Agora os dois corvos estão pousados sobre a cabeça do sacerdote
bicando-a insaciavelmente...

Um silêncio sobrenatural envolve aos poucos toda a floresta...

É noite. Velozmente a Lua surge como um disco branco por detrás de uma montanha mais alta, desaparecendo em seguida, deixando tudo imerso num lodo escuro e sem referências.

Sem sono e sem Deus, fazendo bolas de chiclete, Zigstophell percorre a Floresta de Árvores Encantadas à procura de seu olho.

Entre uma árvore e outra, Zigstopest... Zigstophell encontra uma ponte branca craveja com pedras brilhantes, que atravessa um alegre riacho.

Do alto da ponte!
Pelo Grande Deus Hélio!
Ele voltou! Zigstophell!

Com o olhar fixo em um pequeno peixinho vermelho, que nada ao luar entre as pedras do riacho, Zigstophell declama:

Aos Mortos!

Agora novamente estou atento
vivo, em movimento, ao sabor do vento
Agora sobrevôo as nuvens, obserando descontraído as pessoas
Estou vivo, e sei por que estou
Por que desde ontem
parei de ouvir os passos fantasmas
de alguém que nunca chegava
ou, quando aparecia, estava desfigurada, morta...
Agora novamente sei para onde olhar
e como olhar, e o que dizer

Sabendo Bem

coro:
por onde pisas! Por onde pisas!

Ah, pessoa que me ouve!
“Do que mais o senhor sabe?” -  pergunta o peixinho.
...Sei também, Lindo Ser, da branca e efêmera paranóia que forra a sua mente; que faz de ti um Ser de Ferro, perdido entre ecos. E, assim, de mim nada ouves.
...Sei também, Querido Pinguinho, que muitas outras pessoas também me julgarão, sem jamais me compreender...




O ESPERTINHO


Fora, Verme! Afasta-te de mim!


Por que agora se apossas de Zigstophell?
Para fazer meia dúzia de idiotas sorrir?

(seis idiotas sorrindo: quá, quá, quá, quá...)

Para ocultar-se perante o seu Mundo Real?
E ficar aí curtindo?

...Xô, Demônio de Cueca Amarela!
Fora destes escritos, que para fins diversos
serão extremamente úteis no futuro.

...Quando o Grande Deus não consegue mais impressionar Zigstophell

Desperta agora desse seu mundo intocável
desse Mundo Encantado, que só tu habitas
que só tu às suas leis se sujeita
Desperta e olhe-se no espelho...

Após a conversa com o peixinho, Zigstophell sente-se restaurado
e até passa a ver em seu mundo outras formas de vida, outras histórias...

Sempre Há Outras Alternativas de Vida...
Sinto-me um novo ser
Um ser com novos propósitos
que não se abate duas vezes consecutivas diante do mesmo obstáculo
Um ser que ama o Sol
que crê que todo dia tem sempre um significado próprio a ser incorporado.

Um Segundo de Paz...
...Bem, por ora deixemos de lado o Grande-Deus-de-Borracha e todo o colorido lisérgico do Universo que o envolve
Olhemos agora por aquela janela, e vejamos tudo o que se passa com Zigstophell.
...Agora ele parece mais lúcido, mais interessado em suas potencialidades
Mas... e seu olho, Zigstophell?

ZIGSTOPHELL, O IDIOTA

...Provavelmente, o olho que perdi estava doente...
...Ei! Mas quem fala aí comigo?
É você, Tirano de Borracha?
(breve silêncio... risadas de crianças)
Erguendo como um pavão o sobrolho esquerdo, Zigstophell cerra os dentes frios e paralisa a respiração, esperando em silêncio alguma resposta.

Girapomba e o Deus-Eixo

Enquanto isso, do outro lado da Mística Floresta:
Calma, Girapomba! É óbvio que ele ainda se recorda de ti
- Mas, Santo Deus de Borracha, por que demora tanto a passar por aqui, e provar como de costume a minha salada de frutas?
E a tatoo? Em quem mais ele poderá colocá-la?
Oh, Deus-Eixo, haverá nessa Floresta Cinzenta outro ser vivo, além de mim e Zigstophell?

Zigstophell Aguarda a Resposta...

Ouço apenas ruídos indefinidos
Vozes eco, em luta contra o vento
Mas o vento vem de todo canto
E eu ouço coisas novas, mas ainda são ruídos apenas
Prefiro agora ouvir coisas simples
Prefiro agora o singelo perfume da relva, à singular fragrância da flor-de-lotus, que nunca encontrei
talvez até por não reconhecê-la entre as flores comuns do meu jardim.
Agora estou feliz, pois compreendo tudo; porque tudo o que vejo está tão perto.

Não entre desacompanhado nessa floresta...

Sim, Zigstophell, são lindas as borboletas
Mas... apenas ao meio-dia, ao redor do lago (se houver Sol também)
Sim, Homem-Sonho, é mesmo magnífico esse astro que te orienta
Mas, percebe como o danado se modifica a cada noite?
Então, Criatura-Possível, se queres mesmo penetrar nessa floresta, arma-te primeiro.